Que pescaria!


QUE PESCARIA!
Pesco desde menino. 
Mas não esqueço uma pescaria que fiz com meu irmão Silas, num ponto de pesca de camurim, no Pontal da Barra, mais precisamente no ex-Campus Tamandaré, onde funcionou por muito tempo o Detran. Era um pequeno dique de pedras, conhecido como "cais", não mais utilizado com essa finalidade, mas que se tornou um "remanso" em que se podiam capturar várias espécies, como camurim, vermelhas, batatas, salemas, "xeleletes" (xareletes), corvinas e outras. 
Era um dia comum. Mas pescar com o Silas, diria outro pescador Luiz Bugarin, não tem dia ruim. Pode ninguém pegar nada, mas ele sempre pega alguma coisa, além de tornar a pescaria recheada de estórias e "causos" interessantes. Não é difícil, para nós que somos evangélicos, ouvir entre uma fisgada e outra algum episódio que nos ensina espiritualmente.
A maré estava baixa quando chegamos, não dava nenhum sinal de que algo especial iria acontecer. Quando começou a "subir", vimos a "água azul" se aproximando muito rápido (a água do mar entra no canal, empurrando a água da lagoa para "cima", algo pouco parecido com o que acontece no Amazonas com o Rio Negro e o Solimões, na formação do Rio Amazonas, apenas quanto às tonalidades distintas das águas). Silas deu uma olhada assim por cima e declarou (profetizou?): "rapaz, essa maré vai mudar, vou lá pra pontinha do cais e colocar uma isca viva pra ver o que acontece".
Vi ele se deslocar com destreza sobre as pedras em falso do dique e descer até a altura da cintura para alcançar com a vara um ponto mais longe. Fiquei olhando de onde estava e vi que, assim que a isca bateu na água, um "camura" de bom tamanho bateu na linha e fez uma briga boa. Imediatamente, corri para o mesmo ponto, até porque (como sempre) ele esquecera o samburá dos peixes distante de onde estava. Fui chegando e fazendo um arremesso um pouco mais à esquerda. Tive o mesmo resultado. Enquanto desaferrava o meu peixe, vi Silas pegar outro ainda maior, o que me motivou a refazer o equipamento com a isca e jogá-la na água. Respiração presa, coração acelerado (pescador sofre de taquicardia), senti um toque na linha, seguida de uma baixada inconfundível e a linha cantar enquanto a ponta da vara entrava na água - ichuuaaá! Ouvi Silas proclamar alto, como se já soubesse: "é camurim, e dos grandes.... calma negão..." Enquanto ainda olhava para minha performance, outro camura batera em seu anzol repetindo o que o meu fizera. A partir daí essa cena se repetiu por várias vezes. Uns garotos que pescavam mais adiante vieram para perto e começaram a pegar também, mesmo com isca morta, coisa rara, pois o camurim geralmente come a isca viva. Ao ver isso, começamos a iscar os anzóis com os camarões que já estavam mortos. Porém, não houve diferença, os peixes continuaram correndo da mesma forma de antes. Assim continuou até o fim da pescaria, até acabarem as iscas. Retornando para o carro, ajeitamos as coisas e comentamos quase que ao mesmo tempo: "meu irmão, que pescaria!". Olhamos um para o outro e rimos largamente. Voltando para casa, agendamos a próxima.



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